quarta-feira, 1 de agosto de 2007

OUSANDO SER DRUMMOND

OUSANDO SER DRUMMOND

Haverá algo mais a falar, além das palavras de Drummond?!
Prá mim, agora, não:

Campo de Flores
(Carlos Drummond de Andrade)

Deus me deu um amor no tempo de madureza,
Quando os frutos ou são colhidos ou sabem o verme.
Deus- ou foi talvez o Diabo – deu-me este amor maduro
E a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.

Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
E outros acrescento aos que o amor já criou
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
E talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.

Mas, sou cada vez mais, eu que não me sabia
E cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo, as antigas manhãs
Que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.

Mas, me sorriam sempre atrás de tua sombra
Imensa e contraída como letra no muro
E só hoje presente.
Deus me deu um amor porque mereci.
De tantos que já tive ou tiveram de mim
O sumo se espremeu para fazer um vinho
Ou foi sangue, talvez, que se armou um coágulo.

E o tempo que levou uma rosa indecisa
A tirar sua cor dessas chamas extintas
Era o tempo mais justo. Era um tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem
De um secreto investimento em formas improváveis.

2 comentários:

Cris disse...

oi tonico....

tava com saudades das suas palavras...
mas agora tbm estou aki!!!!
hauuhauhahua

bjussssssssssssssssssssssss

www.flogs.com.br/kizy_

Anônimo disse...

saudades de ti Tonico, como estas querido?
bjs da bruxa!
fique c papai do céu!